26 de novembro de 2009

Está fraca, mas que a luz de Abril nunca se apague

Quando se deu o 25 de Abril, eu tinha 16 anos e para meu grande espanto, não via o meu avô eufórico, nos festejos de tão grande acontecimento.
Com a ingenuidade própria da idade, sabendo convictamente que não havia ninguém na família que fosse fascista (palavra muito em voga na época), havendo apenas operários que se levantavam às 5h da manhã para ir trabalhar, particularmente, o meu pai que chegava às 2h da madrugada, depois de fazer horas extra, para que eu e o meu irmão pudéssemos frequentar a chamada escola pública, finalmente, perguntei ao meu avô, se ele não estava contente com a Revolução porque, de certeza, que as coisas iam melhorar e até já se podia falar de política, fora de casa.
Passou um pouco mais de três décadas, começo agora a compreender, o seu ar preocupado e a sua resposta:
"Não tenhas muitas ilusões, a nossa vida vai ser igual à do costume que é trabalhar. Daqui a pouco tempo, há-de chegar uma nova praga esfomeada, de poder e dinheiro e acredita, mais cedo ou mais tarde, vai tudo voltar ao mesmo e quem se lixa, é sempre o mexilhão"
Acho que ele não era vidente, talvez pessimista, no entanto, quando se vê, ao estado a que chegou este País e quando, já começa a haver prémio/castigo, na "liberdade" de imprensa, para que se cumpram todas as palavras do meu avô, só falta, proibirem-nos de "poder piar".

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